segunda-feira, 16 de julho de 2012

Fragmento #2

Quando minha fonte de amor fugiu de mim, foi meu anjo quem obrigou aquele saco de bosta a me dar carona. Eu tinha uma mágoa muito grande por ele. Tinha sido o herói do meu recanto encantado, há muitos anos atrás, e hoje tinha valor semelhante a uma pulga.

Era triste procurar pela minha fonte de amor junto daquela ameba. Por que eu sabia que ele não se importava comigo, nem com minha fonte, muito menos com meu anjo.

A verdade é que fora ele quem tinha me separado da minha fonte de amor, e também da minha felicidade. Ele tinha talento em transformar todas as palavras em grandes lanças afiadas, que sempre nos acertavam direto no coração. Sempre tive medo de pegar uma infecção com aquelas lâminas, e me tornar tão detestável quanto ele, mas a vida tratou de me dar muitos anticorpos, e ele não me atinge mais.

De vez em quando eu tinha pena do meu anjo. Ele não cuidava dela como devia cuidar. Eu mesma queria cuidar do meu anjo o tempo todo, com toda a ternura do mundo, mas sozinha jamais ia ser possível. A gente nunca consegue ser tão forte quanto quer, principalmente quando se é pequeno.

Parecia que ele fazia questão de nos tirar as coisas que amávamos.

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