terça-feira, 21 de agosto de 2012

Um caos que não é meu

Me informaram de que você tem se alimentado da minha angústia. De que minha tristeza te alegra. De que você pensa que toda carapuça me cabe. De que sente pena de mim.

Ora, eu é que deveria sentir pena de uma alma tão apodrecida. Preciso te falar uma coisa antes que você passe ainda mais vergonha.

Entenda que o teu desprezo já não me chateia. Há muito tempo que não. Agora só me cansa. Me dá preguiça ver o esforço que faz para me derrubar ao invés de crescer. Essa tua baixeza não me diminui mais.

Eu, dentro de minha armadura, sou quase indestrutível. Tenho uma atmosfera própria, tamanha minha autoestima. Minha dor é só minha. Tenho anticorpos que me protegem do desespero e do desamor, e estou desenvolvendo meu próprio firewall.

Portanto, comece a medir se todo esse tumulto vale a pena. Não vá se desgastar por minha causa, eu também não me desgasto por você. Eu já estou tão acostumada a secar minhas próprias lágrimas que levantar a cabeça e seguir em frente se tornou algo natural.

Um comentário:

F. Antenor Gonsalves disse...

Bom... com pouquíssimas palavras (duas ou três orações e não mais) pensei de pronto: Esta moça deve ser escritora. Impressionou-me sua desenvoltura na estruturação das frases, destacando-se aí seu estilo próprio, único e marcante.
Nada de prolixidades: incisiva com as palavras e vai direto ao âmago, sem floreios, fazendo assim com que seus textos sempre deixem aquele gostinho de quero mais! Levando-nos sempre à exclamação quando findada a leitura: Ah! Já acabou!!!
Longe do intelectualismo barato o quão longe da vulgaridade...
PARABÉNS!
Estou exultante! Em frente!
Abraços, com estima!