quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Preciosidade

Sabe aquela hora da madrugada em que você está colada no vidro da janela, com um black e um copo de vinho, ouvindo Pearl Jam e rindo sozinha?


É aquela hora em que você chora sem querer, e de repente começa a rir lembrando de quando vocês brincaram de dragão com a fumaça do cigarro. Quando dá vontade de sair janela a fora, correndo o mais rápido possível até o outro estado. Quando você lembra que ele não gostava de marca de mordida no pescoço. Quando ele fez aquela piada que você levou dias pra entender. Quando você derramou uma lágrima de tanta emoção em vê-lo dormindo do seu lado. Quando - tantas vezes! - você teve vergonha, e medo, de dizer o quando precisava dele ali contigo. Quando você lembra como ele te conquistava a cada dia. Quando você lembra que ele odiava Pearl Jam e gostava de livros de guerra.

É aquela hora que você se encolhe e lembra que ele tinha o melhor abraço do mundo. É aquela hora que você reflete, pensa, entende quantas coisas a vida tirou de você, e quantas você tirou da sua vida. Lembra de todos os planos que fizeram juntos, de tantas coisas que conseguiram juntos. O quanto um teve de abrir mão pelo outro. E de repente começa a rir lembrando daquele dia em que vocês ficaram olhando um para o outro sem coragem de dizer uma palavra, e de repente começaram a rir juntos como se tivessem ouvido uma piada. Lembra do quanto você odiava como ele reprimia tudo e nunca te contava nada. Quanto ele suportava a sua TPM só com um café e alguns beijos.

De repente você pensa em todos os momentos valiosos que agora são memória. Lembra que tudo isso ao seu redor é transitório, e só vai durar só até quando você se der conta do valor que isso tem. Pensa no quanto sua vida pode mudar daqui pra frente.

Aí você termina o copo de vinho, joga a bituca pela janela, abaixa o volume do som e vem para o blog escrever uma crônica, esperando que ele não leia nunca, por que você vai ficar vermelha, vai tremer e suar quando ele vier falar com você.

Sabe?

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