Toda a campanha, a imensidão do céu azul
Só o braseiro do angico aquece a alma
e o agosto nem chegou aqui no sul"
Bom, a saudade continua gelando, mas agosto chegou. O trecho da música está linkado (ui, que palavra feia) no box de audiovisual, De cantar em versos. É uma composição lindíssima do Joca Martins, ícone brilhante da cultura gaúcha.
Agosto chegou trazendo um frio espantoso aqui para o oeste, e de brinde uma gripe que anda me derrubando. Eu tenho vontade de morrer quando estou gripada. Não consigo respirar, não consigo dormir, não sinto gosto de nada, o corpo fica naquela leseira.. aaahh! São os sete piores dias do ano sempre! Estou à base de cházinhos (não que isso seja ruim), aspirinas e bolsas térmicas pra febre.
Também a faculdade recomeçou nessa semana. Tive várias surpresas, é verdade. Em geral não pelo fato de ver mudanças, mas por muitas delas não terem acontecido. É incrível a capacidade humana de falar e planejar sem pensar nas consequências de tanta palavra dita. Mas segue o baile.
Um dos primeiros lugares que fui lá no campus nessa semana foi a livraria. Nossa, essa sim me deu saudade. Eu simplesmente venero aquele espaço. Sem contar que já criei amizade com os queridíssimos que trabalham lá no turno da noite, essa deve até ser a melhor parte. Na terça-feira comprei um livro do Cyro Martins, só de contos. É uma compilação em homenagem aos seus cem anos, que seriam comemorados em 2008, mas o Cyro faleceu em 95. Uma pena, puxa vida, mas seu legado é tão completo! Não havia lido nada além de seus contos até então. Esses livros pocket da L&PM são um sonho. Além de práticos e de texto integral, são bem baratinhos.
Na segunda-feira devo visitar a biblioteca, e quero tentar encontrar algum romance do Cyro.
Última esperança da minha vitalidade, né manos.
Mudando de assunto, hoje me decepcionei com a humanidade. Eu achava que era superficial a preferência das pessoas pela aparência ao invés do conteúdo. Mas não, a tendência em julgar o livro pela capa está muito mais intrínseca nas pessoas do que eu imaginava.
Isso em muito me lembra o conto sobre o barulho da carroça quando passa na estrada. Em geral, quando ela está carregada, mal se ouve o ruído da madeira e das pedras do caminho. Mas quando a carroça está vazia, o estrondo é imenso. A madeira range, todos os ferros tilintam, as pedras são arremessadas para fora, ao invés de serem transpassadas.
O problema é que as pessoas estão cansadas de saber que saem de mãos vazias ao passar por uma carroça barulhenta, e mesmo assim preferem continuar passando de carroça em carroça até encontrar uma que seja leve e, por conseguinte, vazia.
Não tento mais entender a humanidade.
Vou tomar um cházinho, ler o Cyro e ir dormir.
Beijos e bom final de semana, molecada.
Um comentário:
Muito barulho é geralmente o que os sem conteúdo conseguem fazer...e infelizmente acabam imperando sobre os silênciosos com conteúdo..
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