domingo, 23 de janeiro de 2011

Um sentimento que eu chamo de amor

Estádio Regional Indio Condá, sete de fevereiro de dois mil e dez.
Quinze e trinta da tarde.
O sol raiando forte como nunca.

A fila para adquirir ingressos ainda estava grande.
Dez reais, entrada de estudante.
Mais uma fila.
A torcida sobe ansiosa até a arquibancada sul.
Gente de todas as idades, de todo canto da cidade, todo unidos numa só paixão.
A visão do alto da bancada é simplesmente única.
Uma grande alma verde e branca.

O time entra em campo.
Todas as quase quatro mil pessoas ovacionam.
Um só grito, uma só voz empurrando os onze jogadores.
O coração alviverde bate forte.

Quatorze horas, e apita o árbitro o inicio da partida.
A torcida toda canta.
"Camisa verde e branca, bandeiras ao vento,
...eu vim aqui pra te apoiar".


A torcida está mais esperançosa do que nunca.
O craque do ano anterior estava de volta.
Os ânimos estavam exaltados.
Há fumaça, há amor.
E o jogo segue.

O time adversário pontua.
As testas franzem, o sangue verde e branco ferve.
E a banda não pára.
Surdo, tamborim, repinique, força e paixão.

De repente, um nervosismo.
Um arrepio pelo corpo todo.
E GOL!
Gol de um time que pode fazer melhor que isso.
Gol de uma torcida cuja paixão não tem tamanho..
Gol de um estádio lotado.
A torcida grita, canta, pula.
"Com muito orgulho, com muito amor"
Uma energia gira pelo estádio.

E a arquibancada inteira treme.

Mais de uma hora em pé.
O sol queima, ninguém se importa.
O empate da partida abre uma atmosfera tensa.

Mais um gol do adversário.
A mágoa assola o coração de todos os quase cinco mil torcedores.
O fim da partida se aproxima.
A esperança de um novo empate é quase nula.
Mas a torcida empurra.
Não para de cantar.

A fase é de vacas magras no clube.
A diretoria é confusa, o técnico não é firme.
O time anda desunido.
Os nervos andam à flor da pele.

E o árbitro apita o fim da partida.
A decepção não mata, mas pesa e arde.
Muito.
Boquiabertos, os torcedores vão saindo.
Muitos olhos deixam o estádio mareados.
Muitas gargantas correm até a saída do vestiário e gritam.
"Por quê?"
É só o que a torcida não entende.
A emoção é muito grande.

A caminhada para fora do estádio é difícil, sofrida.
Alguns ainda gritavam sua decepção.
Na mente de cada um, a vontade de voltar algumas hora no tempo.
Voltar e corrigir os erros da zaga.
Os erros do ataque.
Quem sabe, até gritar mais.

Mas ainda estamos vivos.
Ainda temos muito para torcer.
Ainda haverão muitos gols.
A Arena ainda vai tremer muito.


07/02/2010 - Minha primeira ida ao Regional Indio Condá.
Chapecoense 1 x 2 Imbituba.

PS. Tentei representar com palavras a emoção de assistir a um jogo da Associação Chapecoense de Futebol, mesmo sabendo que jamais vão existir palavras para expressar esse sentimento.



Foto: @fernandacarine
Não encontrei mais nenhuma imagem, se alguém tiver desse jogo, me mande :D

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