segunda-feira, 17 de maio de 2010

(...). Saía por aí...



... durante a noite. Pegava um pouco de chuva, um pouco de vento, um pouco de liberdade. Respirava. Olhava as coisas ao seu redor. Pensava na existência. Por que estava ali? Por que daquilo tudo? Qual era a razão da vida? Permeavam dúvidas em sua mente e corpo. Não sabia muito bem o que fazer, como fazer. Não sabia o que pensar, o que podia achar daquilo tudo. A passos largos pelas poças na calçada.

Era muita fragilidade, era muita falta de sorte. Uma vida só, tão curta, tão rara. Tão incompreensível. Que fazer dela? Dava mais uma volta pela praça. Olhava um pouco mais os carros. Pareciam ter vida própria. As manequins das vitrines; algumas a ignoravam, outras a censuravam. Uma vida tão própria e tão pouco humana.

O bem e o mal eram inseparáveis, não era possível tomar qualquer decisão. Tudo era efêmero demais. Sentava-se num banco da praça para descansar. Não havia energia nem matéria suficientes para completar os vazios de dentro.

Respirou e rumou de volta para casa. Chega de chuva, chega de choro. "Estique-se", diziam eles. "Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida". Era verdade. Continuaria sendo. A delicadeza da vida era tanta que o maior medo era de acabar com ela muito cedo. Era hora de chutar o balde e parar de ver humanidade em coisas inanimadas e mortas. Hora de fazer desse tempo o melhor da sua vida.

E ia contra as leis não por não serem cabíveis, mas por puro prazer de desobedecer alguém.

2 comentários:

Joner G. disse...

Amor! Muito bom teu blog, dera eu ter criatividade para escrever!! k3

Karen G. disse...

As vezes a noite é a única coisa que te compreende,já não importa se as lágrimas querem cair ou não,apenas continue caminhando..isso dá a impressão(ao menos pra mim)de que seus passos dão uma utilidade a vida ou a dor.Uma das coisas que mais gosto são as luzes artificiais na noite silenciosa.Tão frias,tão serenas...Parabéns ao texto minha flor,sempre talentosa.Abraço!